sábado, 5 de março de 2011

A CRISE FINANCEIRA INTERNACIONAL E A RECUPERAÇÃO DA ECONOMIA BRASILEIRA EM 2010.













Fábio Anjos- consultor financeiro
Muito se fala sobre a crise econômica mundial e todos os seus efeitos pelo mundo afora. A grande “bolha” especulativa que assolou o mercado norte americano, sobretudo o de crédito imobiliário, causou um verdadeiro efeito dominó em todo o mundo e economias mais maduras, como os EUA e os países da Europa sofreram de forma mais aguda e contundente.
No Brasil, aliás, em todas as economias de países emergentes, a crise teve efeitos menos drásticos, menos incisivos, o que permitiu algum crescimento no PIB (Produto Interno Bruto) em 2009, o que vai na contramão das quedas apresentadas no desempenho do PIB (Produto Interno Bruto) de economias mais maduras. Mas desejo focar minhas considerações para a economia brasileira, levando-se em consideração as ações adotadas pela política econômica do governo, as expectativas e conseqüências.
No auge da crise Internacional, no final de 2008 e percebido no Brasil principalmente com o “derretimento” do mercado de ações e das bolsas (como em todo o mundo) reduzindo drasticamente o valor de mercado das principais empresas do planeta, o governo manteve a taxa de juros referenciais (SELIC) em níveis elevados, atraindo investimentos externos, mantendo as reservas cambiais (principalmente dólares) em níveis elevados, segurando uma “alta” esperada da cotação do dólar, afinal de contas, é um comportamento previsível dos mega-investidores concentrarem investimentos em momentos de incerteza em dólar e petróleo (O Barril de petróleo ultrapassou a cotação de Us$ 100,00 durante o ano de 2009). Já em 2009 algumas medidas foram adotadas no sentido de conter os efeitos da crise, com a redução do percentual de depósito compulsório, ou seja, do valor de depósitos à vista de clientes bancários retidos de forma compulsória no Banco Central do Brasil, aumentando a liquidez do mercado (a quantidade de dinheiro circulando na economia), propiciando maior oferta de crédito e estimulando o consumo, a produção e o próprio comércio. A redução das alíquotas de IPI em alguns produtos manufaturados como veículos, móveis e alguns eletrodomésticos incentivaram o consumo, mantendo as vendas em níveis elevados e a produção em alta, equilibrando um pouco o nível de desemprego percebido pela desaceleração de alguns setores da economia mais atingidos pela crise, principalmente a indústria automobilística que, por conta das medidas adotadas pelo governo brasileiro, ajudaram a “salvar” suas matrizes nos Estados Unidos, Europa e Japão, além é claro, de planos de recuperação viabilizados pelos governos dos países sedes.
Ao contrário do que aconteceu com a maioria dos bancos americanos e europeus, os bancos brasileiros foram muito bem em 2009 contando com o auxílio das altas taxas de juros e a prática de “spreads” (diferença entre o quanto se “paga” pelo dinheiro e quanto se cobra por “ele”) altíssimos.
Hoje, 24/02/2010 o Banco Central do Brasil anunciou um aumento no percentual de depósito compulsório a ser depositado pelos bancos, o que significa menor oferta de crédito e sugere uma desaceleração na atividade econômica.
Poderíamos supor então que a crise acabou? Estaríamos vivendo um momento de crescimento exagerado, que sugerisse uma ação visando uma abrupta redução do consumo?
Muito pelo contrário!
A crise continua e seus efeitos serão sentidos por muitos anos, eu diria por décadas, mas toda ação traz uma reação. As medidas adotadas certamente exigirão outras e outras...
Quando o país adotou políticas de incentivo ao consumo, por conseqüência acabou acordando o “tal” monstro da inflação:
Maior consumo+maior demanda por produtos e serviços+crédito fácil=aumento de preços!
Para conter a inflação, o Comitê de política monetária (COPOM), certamente manterá a mesma linha ortodóxica (conservadora) que vem adotando e que permitiu que o Brasil atravessasse relativamente bem uma crise muito séria.
Com isso, podemos esperar para 2010 um ano com algumas surpresas, como alta nas taxas de juros, ligeira recuperação econômica e mais uma pressão inflacionária que incomoda muito os “homens públicos” em ano de pleito eleitoral... Certamente um excelente ano para as bolsas de valores...
Precisamos ficar atentos, pois em momentos de crise surgem inúmeras oportunidades. Vale lembrar que foi durante uma Guerra Mundial que os Estados Unidos da América conquistou e consolidou sua liderança no cenário econômico mundial. Os BRIC’S (Brasil, Rússia, China e Índia) são as grandes estrelas nesse momento de recuperação e vale a pena olharmos com mais carinho para as oportunidades criadas pelos emergentes. Acredito até que o idioma chinês vem conquistando cada vez mais espaço na mente de empresários brasileiros com uma visão mais holística e de longo prazo! Lá, na China, temos um imenso mercado consumidor de energia, dentre outras coisas. O Nosso “Know-how” na produção de etanol e o próprio pré-sal pode nos render um passaporte para a prosperidade econômica nos próximos 20 anos e, certamente, durante uma crise é que se encontram as melhores oportunidades de investimento. Aproveitem o momento!
Fábio Anjos

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