A atual crise internacional, por incrível que possa parecer, apresenta um cenário que seria inimaginável no início da década de 80 por exemplo, quando o Brasil vinha do período do milagre econômico, que culminou numa super inflação em 1985 e a condição de um dos países mais endividados do planeta.
Temos hoje um cenário de profunda recessão na Europa, principalmente Grécia e Espanha, mas acompanhados de perto por Portugal, Itália, França e Reino Unido, isso mesmo, Reino Unido! A terra da rainha também sofre com a dívida altíssima dos demais países da comunidade comum européia, por possuir títulos da dívida pública de países que estão à beira de uma moratória ( ou nem tanto ), países com grandes dificuldades para equalizar suas receitas e despesas. Em países como a Grécia, por exemplo, que tem sua maior fonte de receita oriunda do Turismo Internacional, a grande queda de massa produtiva, o aumento das despesas públicas, principalmente oriundas da assistência social causaram um desequilíbrio profundo e sombrio. O desafio é como aumentar a massa de trabalho num país ( ou em países) com taca de natalidade em queda, com uma grande população de aposentados e pensionistas. Uma indústria e comércio locais que praticamente não existem e consequentemente não geram arrecadação tributária? A falta de atividade econômica local gera uma queda na capacidade de investimento no setor produtivo, gerando um déficit tecnológico e certamente uma queda de competitividade em relação ao cenário mundial. Isso provocará ações governamentais para proteger a indústria do país mas... Olha só que caos... O mercado interno não se sustenta... O que fazer? Reduzir juros, diminuir benefícios sociais, dificultar o acesso aos mesmos, incentivar a entrada de investimentos externos para aquecer a economia e, ah meu Deus, causar um desequilíbrio cambial... O que fazer? E assim medidas serão tomadas, como remédios que tomamos para dor e causam efeitos colaterais no estômago, nos rins... Mas a economia funciona assim, até que um conjunto de medidas possam ser aplicadas de forma que o mal maior seja eliminado, pelo menos por hora.
E e Brasil, como fica nessa história? No anos 80, o Brasil aumentou e muito sua dívida internacional na captação de recursos para prover o milagre econômico. Aqueceu a economia e, como consequência, fomentou uma hiperinflação. Depois de muitos anos de tratamento mal aplicado, por conta de desmandos políticos, corrupção e ineficiência administrativa, até que o Plano Real ajudou a colocar a economia brasileira nos eixos... Mas um dos remédios que o Governo Brasileiro utiliza para conter a inflação é a alta de juros, desaquecendo a economia interna, que possui uma população crescente, uma previdência social que, apesar de deficitária ( por conta de corrupção e desvios) paga benefícios miseráveis. Bom, esses juros altos atraem muito os investidores internacionais, uma vez que na Europa e Estados Unidos, é um achado encontrar investimentos financeiros que paguem 3% ( ao ano ! ) com níveis de segurança e baixa volatilidade. Se atraímos muitos investidores, isso quer dizer que entram muitos recursos no país, muitos euros e principalmente dólares... Está aí um grande problema: O excesso de dólares causa um desequilíbrio cambial, valorizando de forma excessiva o real em relação ao mercado mundial, aumentando portanto as importações ( produtos em dólares ficam mais baratos ) e consequentemente nossos produtos, fabricados aqui e sujeitos a altíssima carga tributária perdem competitividade, inclusive no mercado interno. O agronegócio também perde com esse desequilíbrio, pois as commodities ( vamos chamar de mercadorias negociáveis ) são vendidas em moeda internacional ( dóllar ) e, se a cotação do mesmo cai, o valor relativo de determinado produto também cai. Prejuízo!
Bom... Mas se o dólar esta desvalorizando, a economia internacional é insuficiente para aquecer a economia brasileira, gerar emprego para essa avalanche de jovens que partem em busca de colocação todos os dias no Brasil... Mas aqui, por conta dos juros altos e de carga tributária pesada, a indústria perde competitividade e a economia interna começa a patinar...
A taxa de juros é o remédio mais usado no país, lembram-se? Pois é... Baixamos os juros... E foi isso que aconteceu! O Banco Central do Brasil reduziu a taxa referencial de juros em 0,75% para reaquecer a economia e o mercado interno, pois menores taxas de juros incentivam a cadeia produtiva, diminuiu o custo operacional das indústrias, teoricamente reduziriam os juros dos bancos ( que no Brasil utilizam um spread - diferença entre custo de captação e receita de venda do dinheiro - altíssimo e demoram para repassar essa redução ) e fazem com que os brasileiros saiam as compras, utilizem o crédito ofertado por um preço menor...
A redução da taxa de juros vai de fato aquecer nossa economia, efeito que será sentido a médio prazo, à partir de 60 dias e com seu maior nível em aproximadamente 120 dias quando, devido ao provável aquecimento da economia e uma consequente pressão inflacionária, muito provavelmente teremos um pequeno reajuste da taxa de juros novamente... Desta vez, tudo indica que será para cima... E assim vamos curando nossa pneumonia em detrimento ao nosso estômago...
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